A expedição de Athanagildo Pinto Martins

 

Henrique Pereira Lima

 

No início do século XIX, o território do Rio Grande do Sul, passava definitivamente a compor a América Portuguesa, com a conquista das Missões, por “[...] José Borges do Canto, [que,] com uma pequena tropa de luso-brasileiros e nativos, invadiu as Missões, incorporando esses territórios hispano-americanos à Coroa portuguesa.”. (BATISTELLA, 2014, p. 236).

Através da doação de terras, o espaço missioneiro foi rapidamente ocupado por luso-brasileiros, militares e tropeiros. Contudo, o mesmo não ocorreu com a região norte do estado, que permanecerá devoluta “[...] durante todo o primeiro quarto do século.”. (BATISTELLA, 2014, p. 236). Com mais precisão, a região norte do estado, não foi ocupada imediatamente, segundo o modelo tradicional luso-americano, com o estabelecimento de propriedades dedicadas a criação de gado, em terras doadas à oficiais militares, como ocorreu nas Missões. Mas, já o era, certamente, explorado de forma nômade por caboclos e ervateiros que pouco são percebido pela História Tradicional, mesmo quando o foco é o espaço e o tempo local.

Uma das razões para a ocupação tardia da região norte, é que a mesma “[...] estava sob o domínio dos índios kaingangs, o que teria retardado a fixação dos luso-brasileiros.” (BATISTELLA, 2014, p. 236). Nesse sentido, a tardia ocupação deste espaço pelos poderes luso-brasileiros, também é explicada pela presença diversas comunidades indígenas, com território estabelecido e com uma cultura definida, que irão se opor ao processo de expropriação pretendido pelas autoridades coloniais.

Visando estabelecer um contato direto com a região missioneira, bem como tomar posse do território conquistado em 1801 “[...] o governo de São Paulo enviou para o sul um destacamento comandado por Athanagildo Pinto Martins, com o objetivo de estabelecer uma ligação economicamente viável com a capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.” (MATTOS, 1995, p. 7)

 

Esta expedição passará pelo território palmeirense (então pertencente ao município de Rio Pardo), e promoverá o “[...] reconhecimento de terrenos planos, enxutos – sem cerros e pântanos, que, além de admitir o transporte de carretas, encurtaria o caminho para São Paulo.”. (SOARES, 2004, p. 102). Deste modo, o território dará mais um passo à incorporação do processo de estabelecimento da sociedade colonial luso portuguesa.

No território rio-grandense, “a expedição de 1816 redescobriu o Caminho das Missões (percorrido em 1738 por Cristóvão Pereira de Abreu), ligando os Campos de Vacaria a São Borja através do Planalto Médio” (BATISTELLA, 2014, p. 236). Deste modo, em um sentido leste-oeste, a expedição percorreu a região norte, de maneira a além de estabelecer a ligação entre as Missões e São Paulo, permitirá reconhecimento e a ocupação do território do Planalto.

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Objetos pessoais do alferes Atanagildo Pinto Martins.

Referências:

  

BATISTELLA, Alessandro. Os excluídos da História Local: notas introdutórias acerca da expropriação dos indígenas e dos caboclos e a formação dos latifúndios no norte do Rio Grande do Sul. Unoesc e Ciência – ACHS, Joaçaba, v. 5, n. 2, jun/dez de 2014. Disponível em:< http://editora.unoesc.edu.br/index.php/achs/article/view/5688/pdf_46>. Acesso em 12 de ago. de 2015.

MATTOS, Marili. Passo Fundo, do caminho das tropas ao projeto de interiorização da rodovia do Mercosul. Teoria e Evidencia Economica, Ano 3. Nº 5, maio de 1995. Disponivel em< file:///C:/Users/user/Downloads/4751-15913-1-SM.pdf>. Acesso em 12 de ago. de 2015.

 

SOARES, Mozart Pereira. Santo Antônio da Palmeira: apontamentos para a história de Palmeira das Missões, comemorativos do primeiro Centenário de sua emancipação política. 2ª ed. Porto Alegre: AGE, 2004.

O inventário de Atanagildo Pinto Martins - 1851

Atanagildo Pinto Martins, nasceu na Vila de Castro, Paraná, em 8 de setembro de 1772, e faleceu em Cruz Alta, em 1851.

Filho do capitão-mor Rodrigo Félix Martins e de Anna Maria de Jesus, logo jovem ingressou na carreira militar. Foi em função desta atividade que, com patente de alferes, chefiou algumas expedições militares pelo interior do Brasil. Dentre estas expedições, ganha destaque a expedição de 1816, a qual, sob sua chefia, crua o território da Vilinha da Palmeira, em direção às Missões, com a intenção de descobrir um caminho e construir uma estrada que ligasse a região das missões a São Paulo.

Atanagildo Pinto Martins fez seu testamento na Invernada da Guarita em 22/10/1842, local onde falece em 1851.

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Imagens do testamento: SANTOS, Linara Cristina. A INFLUÊNCIA DO TROPEIRISMO NA FORMAÇÃO HISTÓRICA DE SANTA BÁRBARA DO SUL: SÉCULO XIX. Trabalho de Conclusão de Curso - UNIJUÍ, 2010.

 

 

Genealogia de Atanagildo Pinto Martins

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Referências:

SANTOS, Linara Cristina. A INFLUÊNCIA DO TROPEIRISMO NA FORMAÇÃO HISTÓRICA DE SANTA BÁRBARA DO SUL: SÉCULO XIX. Trabalho de Conclusão de Curso - UNIJUÍ, 2010.

Sobre Athanagildo Pinto Martins, ver:

SITE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Atanagildo_Pinto_Martin

SITE:https://www.geni.com/people/Athanagildo-Pinto-Martins/6000000113581210947

TCC "A influência do tropeirismo na formação histórica de Santa Bárbaro do Sul: século XIX", de LINARA CRISTINA DOS SANTOS. https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/bitstream/handle/123456789/608/C%C3%B3pia%20de%20LINARA%20TCC%20UNIJUI.pdf?sequence=1&isAllowed=y