PATRIMÔNIO E EDUCAÇÃO

OU

EDUCAÇÃO PARA O PATRIMÔNIO

 

 

 

Henrique Pereira Lima

 

 

A interface conceitual gerada pelo encontro da educação e do patrimônio é ampla. Ao abarcar duas dimensões tão profundas que registram a experiência humana no mundo, esta interface sugere o encontro entre a reflexão e a pratica acerca da construção da sociedade humana, como vetor para a compreensão e para a reflexão acerca do caminho percorrido pela sociedade ao longo do tempo, através de diferentes registros, tantos materiais, quanto imateriais.

Quando ponderamos que educar é suscitar e incitar a consciência, evidencia-se que a ação educativa, não pode se resumir a transmissão de informação, pois isto é apenas reprodução. Educar é um ato criativo, onde o educando, ator principal da ação, compõe novos saberes a partir da mediação proporcionada pela parceria mediadora. Nesse sentido, o professor desempenha um importante papel como mediador entre os alunos e o patrimônio cultural.

Nesse sentido, quando fala-se em educação para o patrimônio, temos uma proposta de construção da consciência humana a partir da ação de dar ciência de algo a alguém, que a partir desta tomada de consciência, habilita-se a refletir sobre o patrimônio, intervindo neste e na realidade que o cerca, ao passo que estiver construindo relações com este patrimônio. Portanto, educar para o patrimônio, é mais que informar... Mais que tomar consciência... Mais que criar conhecimento. È intervir na realidade vivida, a partir da realidade legada.

A educação para o patrimônio sugere a criação de novos olhares, perguntas e ponderações acerca do legado. È quebrar o círculo da repetição e reprodução. Como aponta Cunha (et al., 2001, p. 43) com relação aos paradigmas da educação “quebrar esse ciclo é uma missão pedagógica que envolve a possibilidade do novo”.

Nesta dimensão, a relação entre o observante e o observado (relação indivíduo – patrimônio) é tomada como uma instância cognitiva profunda. É exemplar a situação do indivíduo que, em uma situação de aprendizagem, ao abandonar a condição de subalternidade, é resgatado, como agente ativo do processo, permitindo, conforme Moura (2009, p. 23) “[...] dirigir a pessoa à sua própria experiência para que, dessa forma, ela possa estruturar-se e agir.”.

Nesse contexto, não pode haver educação para o patrimônio sem uma problematização geradora de sem pesquisa por parte de quem observa. Educação sugere construção, consciência – criação de momentos para os alunos criarem dúvidas. Ou seja, educar para o patrimônio é diferentes de transmitir informações sobre o patrimônio, suscitando novas relações entre o eu e o mundo através de novos olhares. Através desta definição, torna-se possível a superação do paradigma da descrição de patrimônios e de objetos, para ingressar no paradigma seguinte: o da Educação para o patrimônio, pautado na pesquisa, problematização, compreensão e intervenção.

Esse processo deve levar em consideração uma condição premente: ainda que esta educação interligada e coligada ao patrimônio ocorra de modo e em um espaço interdisciplinar, deve-se preservar as competências da educação e do patrimônio. Enquanto aquela consiste em uma prática, um fazer, o patrimônio consiste em um objeto. Nesse sentido, esta interfase consiste na exploração cognitiva do objeto patrimonial.

 

Bibliografia:

CUNHA, Maria Isabel da; MARSICO, Heloisa Lamas; BORGES, Flávia Antônia; TAVARES, Patrícia. Inovações pedagógicas na formação inicial de professores. In: BARBOZA, Cleoni Maria e GRILLO, Marlene (Org.). Educação superior: travessias e atravessamentos. – Canoas: Ed: ULBRA, 2001.

MOURA, Tânia Maria de Melo. Metodologia do ensino superior: saberes e fazeres da/para a prática docente. Maceió: EDUFAL, 2009.