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A BANDEIRA RO RIO GRANDE DO SUL

História e significados das cores 

Henrique Pereira Lima

A Bandeira Rio-Grandense (Parte 1)

Os símbolos oficiais do Rio Grande do Sul são definidos pela lei estadual nº 5.213, de 5 de janeiro de 1966.  Entretanto, a Bandeira do estado, o Hino Rio-grandense e o Brasão de Armas possuem uma história mais longa e complexa, a qual resultou na nos atuais símbolos por aqueles inspirados.

Essa história tem início com a Proclamação da República Rio-Grandense, em 11 de setembro de 1836, momento em que parte significativa do território da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, foi dominada pelos revolucionários farroupilhas, que organizaram um Estado independente. Antes disso, não eram cogitados tais símbolos, pois não havia a intenção de separar a província gaúcha do Império do Brasil.

A bandeira da República Rio-Grandense foi o primeiro dos símbolos criados pelo Estado republicano gaúcho. Ceres Storchi e Vlademir Roman, na obra “Centro Histórico de Piratini: preservação e valorização” de 2012, apresentam o decreto de criação da Bandeira da República, de 12 de novembro de 1836, a qual, naquele momento, era chamada de “Escudo d’armas”:

"O escudo d’armas do Estado Rio-Grandense será de ora em diante de forma de um quadrado dividido pelas três cores (nacionais), assim dispostas: - A parte superior junto à haste verde, e formada por um triangulo isósceles, cuja hipotenusa será paralela à diagonal do quadrado; - O centro escarlate, formado por um hexágono, determinado pela hipotenusa do primeiro triangulo, e a de outro igual e simetricamente disposto, cor de ouro, que forma a parte inferior.”.

O decreto do governo republicano rio-grandense apresentava as cores nacionais e o formato da bandeira: verde, vermelho e amarelo, que formavam um quadrado. Estas cores não eram estranhas ao imaginário da província. O Rio Grande do Sul ocupava uma posição de transição entre o universo luso-brasileiro, onde o verde e amarelo tremulava, e o universo hispano-americano do Prata, onde o vermelho dava o tom do federalismo argentino. A disposição das cores nesta bandeira, também não era estranha. Eram semelhantes à disposição da bandeira marítima da província de São Pedro: durante o Império, cada província possuía uma bandeira marítima, apesar de a Bandeira do Império ser o símbolo oficial de todas as províncias. Esta bandeira era utilizada em navios com a finalidade de identificar sua província de origem.  A bandeira da província de São Pedro do Rio Grande do Sul era composta por faixas ascendentes da esquerda para a direita, nas cores branco e azul, intercaladas.

Assim nasceu a Bandeira de Piratini, cuja disposição das faixas lembrava a bandeira provincial, mas com cores totalmente originais: verde, vermelho e amarelo.

O significado das cores, entretanto, causaram muitos debates entre pesquisadores, principalmente no século XX, e ainda hoje, há espaço para o debate. Alguns sugerem que as cores simbolizam o auriverde do Brasil, separado pelo vermelho da guerra; outros, que a bandeira era uma combinação do rubro-verde da bandeira Portuguesa com a aurivermelha bandeira espanhola. Justificava-se essa teoria através da localização geográfica da província, na fronteira das antigas possessões da Espanha e de Portugal. Contudo, a proposta foi logo esquecida, pois na época da Revolução Farroupilha, as cores nacionais de Portugal eram o branco e o azul, cores símbolo da monarquia. O site do governo do estado do Rio Grande do Sul (2020), ao apresentar os símbolos do estado, informa que “uma versão, possivelmente mais próxima da real, diz que a faixa verde significa a mata dos pampas, a vermelha simboliza o ideal revolucionário e a coragem do povo, e a amarela representa as riquezas nacionais do território gaúcho.”. Mas, na sequencia, trás um aviso que há outras versões: “algumas fontes, entretanto, alegam que as cores expressariam o auriverde do Brasil separado pelo vermelho da guerra. Outras mencionam que o vermelho seria o ideal republicano.”.

 

Significados das cores da Bandeira do Rio Grande do Sul (Parte 2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A versão na qual o verde e o amarelo da Bandeira da República Rio-Grandense e, hoje, da Bandeira do estado do Rio Grande do Sul, faziam referência ao Império do Brasil, foi e é uma versão a ser considerada. Na Bandeira Nacional o simbolismo das cores repousa na heráldica das casas imperiais fundadoras do Brasil: o verde dos Bragança (Portugal) e o amarelo dos Habsburgo (Áustria, terra natal de D. Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I). Nessa condição, são as cores das famílias nobres fundadoras do Brasil independente. Já na bandeira da República Rio-Grandense, o significado será outro: o próprio Império do Brasil.

Estando o Império do Brasil presente na bandeira da República, torna-se pertinente considerar que a República não se opunha ao Brasil, mas sim, à sua autoritária e centralizadora forma de governo. Essa consideração já foi levantada por Dante de Laytano, na obra A História da República Rio-Grandense, de 1936. Nesta obra, Laytano recupera um diálogo que, ainda que não tenha registro documental, se tornou mítico. Tal diálogo teria ocorrido quando o ditador Juan Manuel de Rosas, da Argentina, ofereceu a David Canabarro, através de um representante, apoio militar para a manutenção da guerra. À oferta, Canabarro teria respondido:

“O primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira, fornecerá o sangue com que assinaremos a Paz de Piratini com os imperiais, por cima de nosso amor à República está o nosso brio de brasileiros. Quisemos ontem a separação de nossa pátria, hoje almejamos a sua integridade. Vossos homens, se ousassem invadir nosso país, encontrariam ombro a ombro, os republicanos de Piratini e os monarquistas do Sr. D. Pedro II.”.

Este diálogo, ainda que sem registros, ilustra a existências de fortes conexões entre a República Rio-Grandense e o Império do Brasil. A bandeira simbolizava um ideal federativo e republicano, ao qual esperavam os Farroupilhas que as demais províncias brasileiras se associassem. O ideal federativo se sobrepunha aos ideais de independência da Província. Walter Spalding em 1955 se associando a Laytano, ao apontar que “o significado, ou interpretação das cores da bandeira rio-grandense [...] deve ser antes e ainda interpretada como um ato de simbólico de fidelidade à pátria comum.”. E, de forma categórica, diz Spalding: “e em verdade, o símbolo da bandeira da República Rio-Grandense foi, como ainda é – Federação.”.

O verde e o amarelo da bandeira de Piratini e posteriormente do estado do Rio Grande do Sul estão pacificados: a filiação do Rio-Grande do Sul ao Estado Imperial, de modo consciente. Mas, e o vermelho, conta com a mesma pacificação?

A bandeira de Piratini nasceu quadrada. Já trazia suas três cores, consideradas naquele tempo as “cores nacionais”. Não possuía o brasão de armas, que hoje repousa ao centro da bandeira estadual. Ruben George Oliven em 1993 mencionava que “as peculiaridades da relação entre o Rio Grande do Sul e o Brasil ficam evidenciadas de forma simbólica na bandeira do Estado, que é formada por três faixas coloridas: uma verde, uma amarela (ambas evocando as cores da bandeira nacional) e no meio uma faixa vermelha denotando o sangue que foi derramado na história do Estado.”.

Nesta interpretação, o vermelho aparece com o simbolismo do sangue gaúcho. Já outra versão defende que o vermelho na bandeira da república e, consequentemente na bandeira estadual, diz respeito ao ideário republicano, ao sangue derramado na guerra, ao desafio, à liberdade. E, outra versão, por fim, associa o vermelho aos movimentos revolucionários platinos. Conforme apontou o professor Cesar Augusto Barcellos Guazzelli em 2007 “os farrapos já tinham entronizado uma faixa colorada na bandeira da República Rio-Grandense, separando os campos verde e amarelo da bandeira imperial [...]. Apesar de alguns folcloristas opinarem que esse vermelho simbolizaria o sangue derramado pela guerra fratricida, parece mais lógico pensar que a cor estivesse relacionada com uma filiação pretendida pelos rebeldes aos revolucionários de maio de 1810 – por sua vez tributários da simbologia da Revolução Francesa.”.

 

 

Significados das cores da Bandeira do Rio Grande do Sul (Parte 3)

A Revolução foi política: não foi poética

Ao abordamos a bandeira da República Rio-Grandense de 1836, duas questões ganham relevo no que diz respeito aos significados da cor vermelha: o significado político desta cor no Cone-Sul americano do século XIX e a forma como o Rio Grande do Sul (então Província de São Pedro) se inseria neste contexto espacial.

 

O Vermelho como símbolo na região platina:

 

O vermelho, já no alvorecer do século XIX desempenhou função política na região platina. Exemplo disso é dado por José Artigas, em sua luta federalista no Uruguai: Artigas “[...] decidiu usar um estandarte próprio, introduzindo uma faixa vermelha transversal na bandeira de Belgrano, numa provável influência da simbologia da Revolução Francesa” (GUAZZELLI, 2017, p. 31 e 32). A bandeira idealizada pelo chefe político e militar argentino, General Manuel Belgrano, durante a guerra de independência argentina, consistia em duas faixas horizontais azuis separadas por uma faixa na cor branca. O general Artigas, em sua campanha libertária no Uruguai aplicou sobre aquela bandeira uma faixa horizontal na cor vermelha. Esta bandeira representava a Liga Federal de Artigas, que vigorou de 1815 a 1820.

Juan Manuel Rosas, que governou a Província de Buenos Aires e a Confederação Argentina na primeira metade do século XIX, também adotou a cor vermelha como emblema:

 

Em abril de 1836, já na vigência da Confederação Argentina, Rosas introduziu na bandeira quatro barretes frígios, dois em cada uma das faixas azuis. Esta era uma das representações mais caras da Revolução Francesa, associada aos sans culottes, os atores mais radicalizados daquele processo (GUAZZELLI, 2017, p. 32):

                          

O barrete frígio, sempre na cor vermelha, é um dos símbolos maiores da Revolução Francesa e de seu ideário republicano, bem como de seus ideais. Os quatro barretes frígios na cor vermelha, postos por Rosas na bandeira da Confederação Argentina, exerciam desta forma, também funções políticas.

Tanto o Uruguai quanto a argentina mantinham, na primeira metade do século XIX, forte ligação com a cor vermelha e símbolos revolucionários nesta cor. É por isso que devemos ter sempre em vista que “o vermelho tornava-se, na medida em que o conceito de Liberdade se confundia com a Autonomia dos Povos Livres, em símbolo máximo do Federalismo, e foi esta representação que atravessaria todo século XIX” (GUAZZELLI, 2017, p. 32) no contexto latino americano e, em especial no Cone-Sul.

 

O Rio Grande do Sul: entre Buenos Aires e Rio de Janeiro

Enquanto o Vice-Reinado do Rio Prata, do qual fazia parte a Argentina e o Uruguai, debatia-se em razão dos reflexos da dominação da Espanha pelo imperador francês Napoleão Bonaparte e, por essa razão, dava seus primeiros passos a uma guerra de independência com matizes republicanas e federalistas inspiradas na Revolução Francesa “[...] a presença de Bento Gonçalves e de outros tantos chefes da fronteira em território oriental permitiu-lhes o convívio com as propostas federalistas que circulavam amplamente pelo Prata” (GUAZZELLI, 2017, p. 17). Logo, não se pode considerar impossível que tamanha proximidade de diversos líderes políticos e latifundiários rio-grandenses com o contexto revolucionário platino, e com os ideais republicanos daquele momento, não desaguassem também, na Província de São Pedro, carregando um significado semelhante.

É por isso que se pode dizer que, a Província de São Pedro, ao longo do século XIX, esteve fortemente vinculado aos processos políticos tantos emanados do Rio de Janeiro, quanto os emanados Prata. Conforme Guazzelli (2017, p. 20):

 

O Rio Grande de São Pedro pertencia simultaneamente a um espaço brasileiro e a um platino, seja por uma semelhança na conformação das propriedades e das relações sociais, seja por um convívio fronteiriço que, ao mesmo tempo em que era marcado por conflitos, também o era por relações de cumplicidade.

 

Como em ondas de choque, os reflexos das decisões destes dois pontos de poder se encontravam na província, as vezes se dissipando, as vezes impondo ou uma ou outra definição a ser adotada pela classe política ou pela classe econômica  local, que frequentemente compunham  a mesma classe.

Mas as relações entre o a Província Rio-Grandense e o Prata não eram apenas de ordem abstrata (política ou econômica): era também de natureza concreta, presente nas relações de amizade e até mesmo parentesco entre s lideranças rio-grandenses e platinas.  Vejamos o caso de Bento Gonçalves:

Em 1811, ocorreu uma invasão militar brasileira no Uruguai, no contexto da Guerra de Independência do Vice-Reinado do Rio da Prata, para auxiliar os espanhóis, momento em que o Vice-Reinado começou a se fragmentar em inúmeros países. Nesta ocasião, Bento Gonçalves já “havia imigrado pouco tempo antes para a povoação oriental de Cerro Largo, onde tornou-se proprietário, casou-se com uma uruguaia e atingiu o posto de alcalde” (GUAZZELLI, 2017, p. 16).

Já a Guerra da Cisplatina, que resultou na independência uruguaia, conforme Guazzelli (2017, p. 21, 22) “[...] acentuou o convívio dos chefes guerreiros dos dois lados da indefinida “linha”, vindo daí as relações entre Bento Gonçalves e seu compadre Juan Antonio Lavalleja, Bento Manoel Ribeiro e o então Brigadeiro do Império Fructuoso Rivera.”.

Tamanha aproximação entre os lideres da Revolução Farroupilha, com as lideranças platinas deu azo à “[...] República Rio-Grandense, e seus dirigentes tentaram desde seus primórdios estabelecer relações mais estreitas com as repúblicas do Rio da Prata, buscando legitimação internacional e apoio em sua luta desigual com o Império do Brasil” (GUAZZELLI, 2017, pg. 27).

Neste contexto, onde há relações pessoais entre lideranças políticas do muno hispano americano e luso-brasileiro; onde há alianças políticas e interesses econômicos em comum; onde há instabilidade política e a procura pela definição dos lugares de poder das elites regionais frente os poderes globais (exercido pelas capitais dos países em formação ou consolidação), o caso da Bandeira da Republica Rio-Grandense tinha a difícil tarefa de simbolizar a convulsão política do processo revolucionário de forma harmônica com uma promessa de estabilidade e aliança com os poderes que a cercavam. Em outras palavras, “a bandeira da República Rio-Grandense deste mesmo ano [de 1836] mostrava a dupla inserção da província no espaço platino: uma herança verde-amarela, simbologia do Império do Brasil, e a presença do colorado federalista do Rio da Prata.” (GUAZELLI, 2017, p. 32).

 

 

Possíveis significados das cores da Bandeira do Rio Grande do Sul (Parte 4)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As inúmeras possibilidades interpretativas do vermelho na bandeira do Rio Grande do Sul e na farroupilha decorrem justamente da pluralidade de significados atribuídos àquela cor. Sua interpretação depende da perspectiva e do imaginário do observador. Pode significar energia. Pode estar associada ao poder e à guerra, ao perigo e à violência. Pode representar o elemento fogo, o sangue e o coração. Pode simbolizar o federalismo e a República. Pode representar os sentimentos como o amor. Pode ser associado ao pecado, diabo, tentação.

 Desde o século XIII são feitos relatos do emprego do vermelho em contextos de guerra e com diferentes significados por quem a portava: luta até à morte; sem prisioneiros de guerra; desafio; não à rendição (em oposição à bandeira branca).

Nos séculos XVIII e XIX, movimentos revolucionários tanto na América, quanto na Europa, fizeram largo uso do vermelho em seus símbolos.  A Revolução Francesa (1789-1799) teve em no barrete frígio vermelho um de seus mais significativos símbolos. Em tempos recentes, o vermelho foi associado a partidos políticos, ao espírito revolucionário e ideologias.

No século XIX, no contexto do Prata e do Rio Grande do Sul, o vermelho será uma cor corriqueira nos movimentos armados. Na argentina, em diferentes momentos de convulsão política, o vermelho foi adotado como emblema. Quando Juan Rosas governava a Argentina, à época da Guerra dos Farrapos, o vermelho era adotado como cor do federalismo e do governo.

Domingo Faustino Sarmiento Albarracín, jornalista e presidente da Argentina (1868-1874), na obra Facundo - Civilización y Barbarie - Vida de Juan Facundo Quiroga (1845), escreveu sobre os símbolos vermelhos adotados: “As cores argentinas são o azul e o branco: o céu transparente de um dia sereno e a luz nítida do disco do sol; a paz e a justiça para todos. (...) Sabeis o que é a cor colorada? (...) Não é o colorado o símbolo que expressa a violência, sangue e barbárie?” (SARMIENTO, 1996, p. 142).

Para Guazzelli, ao ponderar o significado da cor vermelha na bandeira farroupilha, “parece mais lógico pensar que a cor estivesse relacionada com uma filiação pretendida pelos rebeldes aos revolucionários de maio de 1810 – por sua vez tributários da simbologia da Revolução Francesa – portadora então de um significado libertário; não está também fora de cogitação uma influência dos “carbonários” italianos presentes no movimento farroupilha.”.

É importante considerar que os revolucionários farroupilhas mantinham laços econômicos, políticos e sociais e até familiares na Argentina e Uruguai. Portanto, não é inapropriado considerar uma possível influência do republicanismo daquelas nações no movimento farroupilha. Exemplo desta aproximação é o “carimbo de Piratini”, com o qual a República Rio-Grandense marcava as moedas do Império do Brasil em curso. Este selo guarda uma grande semelhança com o Brasão criado pela Constituinte Assembleia Geral de 1813, das Províncias Unidas do Rio da Prata. O vermelho da bandeira farroupilha, portanto, guarda uma cota de amizade e parentesco com o vermelho do federalismo e republicanismo platino.

O vermelho assim, se tornava a cor oficial da revolução e do Estado revolucionário. Houve até mesmo um decreto que, segundo Guazzelli, “tonava obrigatório o uso de cintas e faixas tricolores (verde, vermelho e amarelo) decerto difíceis de conseguir nessa época. Era mais fácil, pois, ao menos para a soldadesca portar uma camisa, lenço ou vincha colorada que um custoso pano com as três cores da República.”. Assim surge o lenço como distintivo politico, costume este que não foi exclusividade do contexto da Guerra dos Farrapos: a Revolução Farroupilha (1835- 1845) adotou o lenço vermelho a exemplo dos platinos. Guazzelli menciona ainda,  que “há referências, nem todas confirmadas, sobre a existência de variações de cor e enfeites nos modelos de lenços, às vezes com listras azuis e brancas. Mas a marca clássica dos farrapos, símbolo da luta contra o Império brasileiro, era o lenço vermelho, com pontas nas costas e o nó no peito. O mesmo lenço vermelho tornou-se símbolo dos rebeldes de 1893 e de 1923. É uma constante no imaginário político gaúcho.”.

De forma significativa, os historiadores do século XX e XXI se aproximam. Para Spalding em 1955 “o encarnado não é mais do que o símbolo da República e da Federação.”. Para Guazzelli, em 2007, o vermelho do lenço farroupilha e da bandeira da República Rio-Grandense é portador “de um significado libertário e federalista”.

 

 

Possíveis significados das cores da Bandeira do Rio Grande do Sul (Parte 5)

A bandeira: da República Rio-Grandense ao estado do Rio Grande do Sul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A bandeira da República Rio-Grandense, apesar de seu decreto de criação, já na época da Revolução encontrou entraves à sua padronização. Provavelmente as limitações técnicas da época associada às limitações impostas pela própria guerra, tornavam sua execução precária, e alvo de improvisações, quanto à forma. Quanto às cores, estas eram inequívocas. Getúlio Marcantônio, em 1961, no projeto de lei nº 122 de 19 de julho, que dispunha sobre a forma de apresentação da Bandeira e do Brasão de Armas do Rio Grande do Sul, afirmava que “já ao tempo do decênio farroupilha não havia uniformidade na Bandeira que lhe servia de símbolo. Como consequência disso houve e há certa confusão sobre qual seja o verdadeiro pavilhão tricolor da República Rio-Grandense. Alguns caracteres permaneceram através do tempo; outros foram completamente alterados, inventados, consoantes o talento de quem confeccionava o pavilhão; este é o caso do Brasão de Armas. Já foram encontrados quatroze tipos diversos da Bandeira Rio-Grandense.”. Por fim, Marcantônio alerta que o problema acerca dos símbolos da República Rio-Grandense foi “[...] agravado pelo uso da Bandeira como recurso propagandístico do movimento republico no Rio Grande do Sul, a partir da ação dos Clubes Republicanos [...].”. Esta situação apenas foi superada em 1966, quando finalmente os símbolos os estado foram oficializados e descritos.

 

 

Obras Consultadas:

GUAZZELLI, Cesar Augusto Barcellos. O verde-amarelo coloreado de vermelho: República e Federalismo, a República Rio-Grandense e o Rio da Prata. IN: SOUZA, Carla Renata Antunes de; MATINS, Jefferson Teles (Org.). 180 anos da Proclamação da República Rio-Grandense: as ideias em debate. Porto Alegre: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 2017. Disponível em: https://www.ihgrgs.org.br/ebooks/Ebook-180anosProclamRepublica.pdf. Acesso em 27 de maio de 2021.

RIO GRANDE DO SUL. Símbolos. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/simbolos#:~:text=Uma%20vers%C3%A3o%2C%20possivelmente%20mais%20pr%C3%B3xima,riquezas%20nacionais%20do%20territ%C3%B3rio%20ga%C3%BAcho.&text=Outras%20mencionam%20que%20o%20vermelho%20seria%20o%20ideal%20republicano.

OLIVEN, Ruben George. O Rio Grande do Sul e o Brasil: UMA RELAÇÃO CONTROVERTIDA. Disponível em: http://anpocs.com/images/stories/RBCS/09/rbcs09_01.pdf 

SARMIENTO, Domingo Faustino. Facundo. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1996.

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